A mesma espreguiçadeira, preço diferente: cobre por época, dia e período

5 min de leituraBares de Praia e Praias
Ilustração de espreguiçadeiras frente ao mar em diferentes momentos do ano, da época baixa tranquila e cinzenta ao verão cheio de chapéus de sol e sol

Digamos que cobra 12 € por espreguiçadeira. Os mesmos 12 € em janeiro e em agosto, numa terça-feira fraca e num sábado a abarrotar, na espreguiçadeira da primeira linha e na do recanto sem vista. Um número para tudo. Parece cómodo — zero cálculos, zero discussões —, mas é precisamente aí que o dinheiro lhe foge.

Porque em pleno agosto, com a praia a rebentar pelas costuras, essa mesma espreguiçadeira alugava-se a 18 € sem que ninguém levantasse uma sobrancelha: está a oferecer seis euros por lugar, centenas de vezes por dia. E em maio, com a areia meio vazia, talvez a 8 € enchesse as que agora ficam por estrear. O preço único falha dos dois lados — cobra a menos quando sobra procura e a mais quando falta — e ainda por cima não distingue o seu melhor lugar do pior. A alternativa não é andar a mudar etiquetas à mão todas as manhãs, mas fazer com que cada espreguiçadeira saiba quanto vale em cada momento e o cobre sozinha.

A mesma espreguiçadeira não vale o mesmo que a do lado

Comecemos pelo mais óbvio e pelo que mais se ignora: nem todos os seus lugares são iguais. A primeira linha, com o bar a dois passos e o pôr do sol de frente, vale mais do que a quarta fila. Uma cama balinesa à sombra não é só mais uma espreguiçadeira. Cada modelo de espreguiçadeira pode ter o seu próprio preço, para que a balinesa se cobre ao dobro e a de trás tenha uma tarifa mais ajustada, sem ter de pensar duas vezes.

E se um lugar em concreto for especial — o da esquina com sombra natural, o colado ao bar de praia —, dá-lhe o seu próprio preço sem mexer em nenhum dos outros. É o mesmo critério com que já trata cada zona como um pequeno negócio: o lugar manda no preço, e não ao contrário.

Meia manhã ou o dia inteiro

A camada seguinte é a hora. Uma espreguiçadeira às dez da manhã e essa mesma espreguiçadeira às quatro da tarde não são o mesmo produto: muda o sol, mudam as pessoas, muda o que alguém está disposto a pagar. Por isso cada lugar pode ter um preço para a manhã, outro para a tarde e outro para o dia inteiro.

Aqui há um pormenor que rende mais do que parece: uma espreguiçadeira que fica livre ao meio-dia volta a vender-se à tarde. Se dividir o dia em dois períodos, cobra esse mesmo lugar duas vezes num dia — uma de manhã e outra à tarde — em vez de o dar por amortizado ao meio-dia. O meio dia não é um desconto, é uma segunda venda.

Em agosto enche-se sozinha; em maio é preciso animar

É aqui que entra a alavanca grande, a que verdadeiramente mexe na caixa: a época. Marca um período — de 1 de julho a 31 de agosto, por exemplo — e diz ao sistema o que fazer com os preços nesses dias. Pode subir tudo uma percentagem (mais 50 % no auge do verão) ou fixar diretamente o preço que quiser para essas datas.

Fora de época, a jogada é a contrária. Nos meses fracos, um desconto programado evita que os lugares fiquem frios: mais vale uma espreguiçadeira alugada mais barata do que uma vazia a preço de agosto. E não tem de ser igual para todos: pode aplicar a subida só a uma zona ou a um modelo — encarece as camas balinesas em agosto e deixa as espreguiçadeiras normais como estão — porque nem toda a praia se enche ao mesmo ritmo.

O sábado também não é uma terça-feira

Dentro dessa época ainda pode afinar mais, porque uma semana não é plana. Ao fim de semana a procura dispara e à terça-feira afunda. Por isso à tarifa da época acrescenta um ajuste por dia da semana: aos sábados e domingos, um pico extra; nos dias fracos, uma tarifa de chamariz que o ajude a encher.

Deixa isso definido uma só vez — «no verão, de sexta a domingo mais 30 %» — e aplica-se sozinho, semana após semana, sem ter de se lembrar de subir os preços a cada sexta-feira nem de os baixar a cada segunda.

Deixa configurado e cobra sozinho

Toda esta flexibilidade não serviria de nada se fosse preciso calculá-la à mão em cada reserva. A graça é precisamente o contrário: configura uma vez e esquece. Cada reserva — a que entra pelo formulário online e a que o seu funcionário mete pelo telemóvel quando o cliente chega — sai já com o preço que corresponde àquela espreguiçadeira, àquele dia e àquele período. Ninguém consulta uma tabela, ninguém faz contas, ninguém discute na areia.

E não é uma funcionalidade de plano caro reservada a alguns: está disponível para quando a quiser usar, como as restantes peças do sistema. Liga-a no dia em que decidir que um sábado de agosto e uma terça-feira de maio não podem custar o mesmo.

Cobrar melhor, não cobrar mais

O objetivo disto tudo não é espremer o cliente, é deixar de trabalhar contra si mesmo: de oferecer lugares quando lhos tiram das mãos e de os ter vazios quando bastaria um preço mais simpático. Quando a tarifa se ajusta sozinha à procura, o fecho de caixa conta outra história ao fim do mês.

Dê uma vista de olhos aos planos e olhe com calma para a sua própria época: quantas semanas verdadeiramente fortes tem, quantos lugares premium, quantos meses custa encher. Quase sempre há mais margem do que o preço único deixa ver — e recuperá-la é apenas uma questão de deixar que cada espreguiçadeira cobre o que vale.